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Cloud, uma certeza nos momentos de maior incerteza

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Cloud, uma certeza nos momentos de maior incerteza

Andrew Soeiro
Andrew Soeiro 5 minutos Partilha

Cada vez mais considerada a solução tecnológica por excelência, a Cloud é vista como o futuro, a super heroína de tantas empresas nos períodos mais complexos, capaz de oferecer grande certeza e estabilidade nos momentos de maior incerteza. Vamos ver porquê.

Uma introdução à Cloud, vista à distância.

O armazenamento de dados e a computação foram sempre grandes desafios com que as empresas se deparavam.

Quando em 1997, no decorrer de uma conferência académica, o Professor Ramnath Chellappa mencionou a Cloud Computing e descreveu-a como um paradigma “em que os limites da computação serão determinados pela lógica económica, não apenas pelos limites técnicos” , inaugurava-se uma nova era, com uma tecnologia a transformar a forma como se trabalha e se partilha toda a informação que o dia a dia laboral gera.

Mas, na verdade, este conceito poderia ser atribuído a John McCarthy, um dos pais da Inteligência Artificial. Isto porque, logo no início dos anos 60 do século passado, atribuiu ao time sharing a capacidade de vir a potenciar modelos de negócios em que a computação, e até aplicações, poderiam ser consumidas, como é o caso da eletricidade, da água ou do gás.

Afinal, o conceito era já debatido num período em que a Internet estava ao alcance de uns quantos (ainda que poucos) entusiastas das novas tecnologias. Avizinhavam-se grandes mudanças no virar do século, embora, à época, ainda substituíssemos a ficha do telefone por um cabo de acesso à World Wide Web a velocidades extraordinárias de 256 kbps.

Atualmente, a Cloud está de tal forma presente nas nossas vidas que já nem sequer questionamos ou sequer nos apercebemos de tal. Quando entra num qualquer serviço de streaming e acede a um filme ou ao último álbum da sua banda preferida, esse material encontra-se armazenado em Cloud, disponível em simultâneo para si e para qualquer outro fã, esteja ele na Sibéria ou na África do Sul.

O futuro já chegou e vai fazer a diferença nos modelos de negócio

O tecido empresarial mudou radicalmente nos últimos anos. A revolução digital aproveita a impressionante evolução da tecnologia. As redes passaram a fazer circular terabytes de informação. Simples smartphones têm capacidade para albergar memória que suplanta a do computador de bordo da Apollo XI.

Com isto, surgiram estratégias de cariz digital capazes de se adaptar ao novo paradigma de armazenamento de dados e capacidades de computação; e sem que seja obrigado a participar ativamente na respetiva gestão. Basta escolher o formato de Cloud desejado e um quase ilimitado poder de computação para que serviços ou capacidades de ingestão e análise de dados ofereçam a possibilidade de disponibilizar novas experiências digitais relevantes.

As opções são muitas, entre Cloud Pública, Privada ou Híbrida, com recurso a serviços de computação IaaS, CaaS, PaaS ou SaaS, só para mencionar alguns, e deve ser sempre assegurada a conformidade regulatória, a confiança e a segurança digital. Estas têm de ser projetadas para responder a exigências específicas e também à capacidade de se adaptarem em função da evolução das empresas, enquanto transitam para a Cloud e transformam os seus processos de negócio.

Perante as opções com que nos deparamos, as empresas devem ser aconselhadas por quem sabe identificar o melhor percurso em função do ponto de partida em que se situam, tendo como destino a melhor utilização dos recursos Cloud que estão ao nosso dispor. Tal implica que tenham como parceiro alguém que imagine, projete, desenvolva, mantenha e apresente soluções e aplicações que se adaptem ao que cada negócio específico necessita. Tarefa complicada, mas que potencia a criação de uma estrutura muito ágil e resiliente em cada etapa.

A jornada para a Cloud não é um projeto único. A Cloud evolui e, com isso, surgem oportunidades para inovar e criar serviços e experiências cada vez mais ricas.

Sonho numa nuvem tornado realidade

Chegados a este ponto, importa reforçar que nunca foi tão importante para a generalidade dos setores ter a capacidade de reação à mudança constante. As empresas têm que estar sempre na vanguarda, sob risco de perderem a liderança na inovação e ficarem irremediavelmente no fim do pelotão. Tal implica que encontrem novas formas para responder aos requisitos que se levantam, e assim sobreviver e prosperar num clima de incerteza.

Partilho um exemplo da relevância transversal da Cloud, que não se cinge simplesmente à componente de negócio. A Cloud, no último ano e meio, foi fundamental na identificação de 70 compostos virtuais a serem testados quanto à sua capacidade de inibir o SARS-CoV2. Tudo isto é resultado de um projeto voluntário de crowdsourcing que decorreu num programa patente numa das principais multinacionais em Tecnologias de Informação. Cientistas, curiosos e cidadãos comuns, doaram a capacidade de processamento dos seus computadores e smartphones com destino a experiências levadas a cabo por equipas de especialistas.

Tal capacidade de resposta é impulsionada pela adoção de tecnologias Cloud. Tenhamos como foco a já anteriormente mencionada capacidade de desenvolver uma estrutura resiliente, eficiente e ágil.

Desta forma, vou apresentar uma metodologia que assenta num conjunto de passos rumo a uma empresa de sucesso na Cloud.

São seis os fatores identificados que podem impulsionar o sucesso da Cloud. Considere-se este um roadmap em direção a uma jornada de crescente valor de negócio. É também possível que uma abordagem holística para a transformação da Cloud prepare as empresas para os passos seguintes. Com esta capacidade de antecipação é possível oferecer os mecanismos necessários para que os negócios possam prosperar.

  • Aptidão para realizar uma abordagem imediata, com a virtude da dinâmica adequada para efetuar a migração

Uma abordagem destas possibilita a abertura da porta para a inovação e para uma mudança mais ampla nos negócios, isto por meio de recursos nativos da Cloud. Através de aplicações integradas na Cloud, estes insights podem indicar análises significativamente mais perspicazes e menos complexas. Também a inovação será bem mais simples, pois a arquitetura moderna pode ser rapidamente aprimorada, no sentido de obter maior valor do seu legado, por meio da utilização de soluções e funcionalidades de arquitetura secundária.

  • É importante deixar as aplicações conduzirem a infraestrutura

As aplicações determinam quais os processos de negócios e valor, enquanto a infraestrutura tem como missão garantir que essas aplicações são entregues de forma rápida, confiável, segura e económica. E quando são desenvolvidos modelos de negócios com aplicações que podem ser executadas com mais rapidez, crescem mais facilmente, são mais fiáveis e integram dados e processos de formas até há não muito tempo inimagináveis, o que torna possível criar uma disrupção nos mercados e gerar novas fontes de valor de negócio.

  • Transformar a operação numa colmeia eficiente

Mudar para a Cloud é também uma oportunidade para efetuar mudanças humanas e operacionais, que lhe permitam libertar talento, ao dar aos colaboradores novas funções e novas formas de trabalhar. Neste caso, está a lidar-se com um ecossistema muito maior, com mais players e mais KPIs para analisar. Neste caso, é tempo de dizer “adeus” à centralização e “olá” à distribuição. Para tal, deve-se obter a tecnologia adequada, bem como os processos e pessoas certas. A isto soma-se o tempo e recursos para transformar as TI’s numa vantagem competitiva.

  • Implementar governance e conformidade eficazes em todos os domínios

A Cloud oferece às empresas uma maior independência no que concerne às TI. Mas, e para que a implementação desta solução seja um sucesso, não é possível que as estruturas no interior da organização atropelem os mais variados requisitos regulamentares.

É recomendável que se faça do governance e do compliance áreas de colaboração da empresa com as TI, que orientam os utilizadores para os melhores e mais económicos serviços. Mas não se trata apenas de padrões internos; também existem requisitos externos, legais e regulamentares, especialmente em relação ao armazenamento de dados, segurança e privacidade.

  • Otimizar conforme se avança rumo a uma Cloud visível, responsável e controlável

Ocasionalmente, os gastos com a Cloud podem exceder as expetativas, mas isso pode significar o mapeamento de claros aumentos no crescimento da receita. É preciso demonstrar o retorno sobre o investimento (ROI) em toda a empresa. Como a Cloud altera fundamentalmente o equilíbrio entre despesas de capital e despesas operacionais, tem implicações financeiras a considerar. Uma estratégia de otimização eficaz é decisiva para controlar os gastos.                     

  • Quando se trata de segurança, os dados são o novo limite

Conforme os dados navegam por várias redes, é imperativo que se encontrem totalmente protegidos.

Este é um admirável novo mundo híbrido, onde os dados precisam de ser encriptados. Os pontos de confluência e ramificações ao longo de todo o caminho devem estar constantemente atentos a quaisquer intrusos, bem como ser capazes de detetar, bloquear, integrar e remover rapidamente essas ameaças.

A criação de valor usando as capacidades da Cloud já não é segredo para organizações que pretendam ser bem-sucedidas num tabuleiro competitivo que se caracteriza por ser estimulante e complexo. Aqui, o desafio é como passar da teoria à prática. Para isso, é fundamental redefinir o pensamento da estrutura e agir de forma mais veloz.

Agilidade, recursos ilimitados, produtividade e segurança são a resposta para quem quer inovar e liderar essa inovação. A Cloud é o meio para o fazer.

Andrew Soeiro

Responsável pelas áreas de Applications & Infrastructure da Avanade Portugal

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