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Como a tecnologia pode ajudar a criar bancos mais sustentáveis

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Como a tecnologia pode ajudar a criar bancos mais sustentáveis

Sérgio Viana
Sérgio Viana 5 minutos Partilha

Hoje em dia, a dura realidade das alterações climáticas e da necessidade de agir já são impossíveis de ignorar. Questões que nos afetam a todos e que têm levantado cada vez mais preocupações junto da comunidade científica, com o último relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) a confirmar que “os cientistas estão a observar mudanças no clima do planeta Terra em todas as regiões e em todo o sistema climático”. De acordo com o mesmo estudo, as temperaturas na terra continuam a subir em resultado do número crescente de emissões de gases de efeito de estufa resultantes das atividades humanas, que foram responsáveis por “um aumento de cerca de 1,1ºC entre 1850-1900” e que, nos próximos 20 anos, poderão fazer com que “a temperatura global atinja ou ultrapasse 1,5ºC de aquecimento” – um aumento aparentemente insignificante, mas que se poderá revelar verdadeiramente catastrófico para o planeta.

Mas nem tudo são más notícias, já que as alterações climáticas estão, finalmente, a tornar-se uma prioridade junto de governos, de empresas e da sociedade em geral. A pressão para adereçar o problema tem vindo a crescer, sendo que alguns países e organizações já assumiram o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050. Uma meta que transmite uma mensagem forte para todo o mundo: é urgente agir agora. Como o Bill Gates afirma no seu livro “Como Evitar um Desastre Climático”, não temos ainda todas as ferramentas que precisamos, mas já temos algumas ao nosso dispor que nos permitem reduzir as emissões e iniciar o caminho até à pegada de carbono zero.

Neste contexto, a tecnologia é um elemento fulcral para atingir a sustentabilidade em todos os setores da sociedade, que, felizmente, está na mão de todos nós. E nesta realidade está também incluída a banca e as diferentes instituições financeiras. Mas, afinal, como pode a tecnologia ajudar os bancos a tornarem-se sustentáveis?

Banca Sustentável: a tecnologia como fator de mudança.

As instituições financeiras são parte integrante das nossas vidas. Todos nós precisamos destas entidades para sobreviver na economia moderna, sendo que os bancos são uma parte essencial do tecido económico das nossas sociedades. Os bancos têm um impacto direto na vida de diferentes comunidades, por isso, têm a responsabilidade de ser uma força motriz para uma mudança positiva nas regiões em que operam. Recentemente, com o advento da pandemia provocada pelo vírus COVID-19, vimos os bancos a assumir essa responsabilidade com as moratórias e outras medidas. Uma tendência positiva, que deve agora ser mantida e acompanhada por uma motivação no sentido da mudança de comportamentos em relação à forma como enfrentamos a crise climática. A pressão para que os bancos ajam vem de diferentes stakeholders, desde reguladores, a funcionários e até mesmo de clientes. À medida que o público se torna ainda mais consciente da urgência em lidar com a esta crise, os consumidores sentem-se empoderados para mudar os seus comportamentos, e passam a esperar a mesma mudança nas empresas com as quais se relacionam. Nesse sentido, a tecnologia e as ferramentas digitais podem tornar-se verdadeiros fatores de mudança de duas formas: ajudando as organizações a reduzir as suas emissões e a atingir a neutralidade carbónica, e integrando ferramentas digitais para que os consumidores consigam fazer uma contribuição individual para o mesmo objetivo.

De acordo com o European Carbon Survey 2021, realizado pela Meniga, 68% dos consumidores estão interessados em produtos financeiros verdes, enquanto 63% querem que o seu banco os ajude a compensar a sua pegada de carbono. A procura por produtos e serviços alternativos está a aumentar e os consumidores desejam fazer parte desta mudança. Por isso, os bancos encontram-se numa posição privilegiada para oferecer aos consumidores as ferramentas de que estes precisam, para participar na resolução dos desafios ambientais que enfrentamos. Como? Por um lado, ajudando os consumidores a consciencializar-se do impacto que as suas compras têm no ambiente e, por outro, proporcionando-lhe as ferramentas digitais necessárias para reduzir esse impacto. Existem já diversas ofertas no mercado que permitem aos bancos responder às necessidades crescentes dos consumidores, tanto para aumentar a sua consciência para o problema em questão, como para os ajudar a agir. Uma calculadora de pegada de carbono, por exemplo, ajuda os consumidores a entender como as suas atividades diárias e as diferentes compras que fazem impactam o meio ambiente - a pegada de carbono estima as emissões totais de gases de efeito de estufa resultantes dos produtos que compramos ou das decisões diárias que tomamos (o meio de transporte que escolhemos, os alimentos que compramos, as viagens que fazemos, etc.).

Ao integrar ferramentas como esta nas jornadas digitais dos clientes, os bancos não só serão capazes de os ajudar a perceber quanto impacto têm sobre o número total de emissões de gases de efeito de estufa, mas também poderão oferecer alternativas para reduzir esse impacto e para os ajudar a fazer a transição de “estarem cientes do problema” para “se tornarem parte da solução”. Isso pode ser alcançado oferecendo produtos financeiros verdes (tais como créditos “verdes”, poupanças sustentáveis, extratos digitais, etc.), estabelecendo esquemas de compensação de emissões ou oferecendo incentivos claros para impulsionar uma mudança comportamental — bancos como, por exemplo, o Barclays e o Swedbank já oferecem diferentes opções de créditos verdes. No caso do Commerzbank, foi responsável pelo lançamento do chamado “mountain forest project”: por cada mudança para um extrato digital, em vez do tradicional papel, um metro quadrado de floresta é plantado na Alemanha. Outro exemplo concreto é a Nordea, que oferece aos consumidores a possibilidade de contabilizar a sua pegada de carbono através de uma calculadora disponível na sua aplicação móvel.

Por outro lado, organizações de outra natureza também têm um papel a desempenhar: várias empresas como a Microsoft, a Coca-Cola, a Unilever, a Best Buy, a Siemens, e inúmeros cloud providers, para dar alguns exemplos, comprometeram-se a atingir a neutralidade carbónica até 2030-2040. Tecnologias como a cloud são fundamentais para que as empresas se tornem sustentáveis, já que, de acordo com a Accenture, a migração para a nuvem pública “pode alcançar uma redução significativa de carbono, materializando-se numa redução de 5,9% nas emissões totais de IT”. Existem já várias ferramentas que podem ajudar as organizações a compreender e reduzir o seu impacto ambiental, tal como a Calculadora de Sustentabilidade da Microsoft. Com ferramentas como esta, as organizações podem atingir metas relacionadas com o clima, reduzir a sua pegada de carbono e aumentar a transparência no que toca às suas emissões.  

Em conclusão, já existe um esforço significativo e crescente por parte das instituições financeiras para se tornarem mais sustentáveis e para incluírem critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) nas suas decisões de negócio. Porém, para que esse esforço não se fique pelas boas intenções iniciais, o investimento nesta jornada de sustentabilidade deve ser mantido e reforçado, definindo estratégias claras e transparentes e procurando uma vantagem competitiva através de produtos e de serviços inovadores, que resultem numa adoção generalizada destas alternativas em diferentes segmentos de clientes e junto de outras indústrias. Tudo isto, para que os bancos assumam uma posição concreta e decisiva relativamente à crise climática e para que estejam preparados para assumir uma postura de liderança no que toca a impulsionar este movimento de mudança. Isto porque, em última análise, os clientes recompensarão os bancos que assumirem essa posição de liderança em questões climáticas.

Fale connosco e explore como poderá utilizar a tecnologia para desbloquear o seu futuro carbono-zero, para assumir a liderança ao tornar-se um banco sustentável.

Sérgio Viana

Partner & Digital Xperience Lead na Xpand IT.

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